Americana de oito anos morta no primeiro ataque ordenado por Trump

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“O objetivo não era matar ninguém”, diz porta-voz do Comando Central

Donald Trump deu luz verde a uma operação de assalto das forças militares norte-americanas no Iémen que terá resultado na morte de 14 civis, incluindo uma menina norte-americana de oito anos, e de um soldado dos Estados Unidos.

As ações do Comando de Operações Especiais Conjuntas, no domingo, são agora alvo de um inquérito preliminar para determinar se as alegações de mortes de civis são credíveis o suficiente para abrir uma investigação.

O objetivo da primeira operação contra o terrorismo aprovada por Trump era obter informações sobre as atividades da Al Qaeda, conforme o coronel John Thomas, porta-voz do Comando Central dos Estados Unidos, contou ao Guardian.

“O objetivo não era matar ninguém. Nós somos muito bons a fazer isso no ar”, disse o porta-voz que revelou que a operação foi planeada durante meses sob a administração de Obama mas nunca foi aprovada pelo mesmo. Obama exercia frequentemente o poder de veto apesar dos planos da operação estarem constantemente a serem revistos, segundo Thomas. Coube então à administração de Trump decidir se aprovava ou não a operação.

Thomas afirma que os militares não sabiam que Nawar al-Awlaki, de oito anos estava no local que viria a ser invadido, assim como as outras 14 vítimas civis. Nawar que estava com a mãe foi baleada no pescoço e morreu no hospital, segundo o que avô Nasser al-Awlaki contou ao Guardian.

A menina era filha de Anwar al-Awlaki, norte-americano que se juntou à Al Qaeda e comandou vários ataques contra os Estados Unidos. Anwar foi morto num ataque com drones das tropas americanas em 2011.

O avô de Nawar acredita que a morte da neta foi acidental e que as tropas não sabiam que havia civis naquele local, mas algumas vozes relembraram as declarações de Trump durante a campanha presidencial. Numa entrevista em 2015 Trump disse que as famílias dos terroristas também deviam ser penalizadas, segundo a CNN.

“Outra coisa com os terroristas é que temos de eliminar as suas famílias. Quando apanhamos estes terroristas temos de eliminar as famílias”, disse Trump, na altura. “Eles [os terroristas] importam-se com as vidas deles [da família], não te iludes. Quando eles dizem quem não querem saber da vida deles, temos de eliminar as famílias”.

Na altura da morte do terrorista Anwar al-Awlaki, alguns especialistas interrogaram-se sobre o direito do Presidente de autorizar o assassínio de um cidadão norte-americano no estrangeiro em nome do combate ao terrorismo.

“Quando um americano parte para o estrangeiro para travar uma guerra contra os Estados Unidos, e nem os Estados Unidos nem os seus parceiros estão em posição de o capturar antes que ele leve a bom termo uma conspiração, a sua nacionalidade não deve protegê-lo, não mais que um atirador isolado prestes a abrir fogo sobre a multidão deve ser protegido de um comando da polícia”, argumentou posteriormente Barack Obama, defendendo a sua decisão.

O inquérito para perceber se há dados de mortes de civis suficientes e credíveis para abrir uma investigação está a decorrer. Este tipo de observações demoram em médias duas semanas a serem concluídas, mas é de realçar que os Estados Unidos não tem homens no terreno no Iémen. A investigação militar será feita com recurso a imagens aéreas do local e outros métodos que não foram revelados.

via : DN

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