ANARQUIA

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Anarquia é erradamente associada ao caos e desordem, o seu verdadeiro sentido veio da palavra grega anarckos que significa “sem governo”.

O anarquismo confia na convivência pacífica dos seres humanos, numa estrutura de auto-gestão e auto-sustentável, isto é, sem autoridades e hierarquias. Valorizando apenas e sobretudo a liberdade natural de cada indivíduo. A militância anarquista actua em diversos campos sociais, políticos e culturais.

Um movimento político que defende uma organização social baseada em consensos e na cooperação de indivíduos livres e autónomos, mas onde à partida sejam abolidas entre eles todas as formas de poder. Anarquia seria assim uma sociedade sem poder, dado que os indivíduos de uma dada sociedade, se auto-organizariam de tal forma que garantiriam que todos teriam em todas as circunstâncias a mesma capacidade de decisão. Esta sociedade, objecto de inúmeras configurações, apresenta-se como uma “Utopia” (algo sem tempo ou espaço determinado). É um ideal a atingir.

Como ideologia libertária e profundamente individualista, o anarquismo defende a ruptura com todas as formas de autoridade política e religiosa, a propriedade privada e quaisquer outros tipos de normas institucionais que cerceiem a liberdade do indivíduo em sociedade e na esfera da vida privada.

As doutrinas de inspiração anarquista defendem a ideia de que a supressão de todas as formas de dominação e opressão vigentes na sociedade moderna daria lugar a uma comunidade mais fraterna e igualitária. Mas a igualdade e a solidariedade comunitária seriam resultados de um esforço individual a partir de um árduo trabalho de consciencialização.

PORQUÊ ANARQUIA ?

Porque todos nasceram para ser livres, mas o princípio da autoridade contradiz isso. No sistema actual precisamos viver sob diversas leis, estas sempre dão vantagem para certa classe social. Todos somos iguais e portanto temos os mesmos direitos, ninguém vale mais que o outro. A democracia não nos garante isso. Além de vivermos sob um governo, ainda temos que enfrentar certos padrões sociais, onde percebemos a presença de muito preconceito. O sistema anarquista é a maneira de viver livre, do jeito que você realmente quer ser e que se sente melhor. Hoje todos são como marionetas: vivem sob os padrões impostos pelo governo e pela sociedade, seguindo leis, quase sempre injustas e que favorecem sempre certo grupo. Na democracia, há muita desigualdade social, onde os ricos tornam-se cada vez mais ricos, e os pobres, cada vez mais pobres. As classes altas só se preocupam com elas mesmas, não se preocupam com o povo e ainda fazem ilusão a estes. Eles passam uma imagem de felicidade, dizendo que tudo está certo . Muitos acabam achando que está tudo certo e aceitam tudo como está. O governo só quer dinheiro e poder, por isso o dinheiro hoje é a desgraça do mundo. É preferível viver livre, na “desordem”, do que viver preso, na disciplina.

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO ANARQUISMO:

Autonomia: Esta é a condição indispensável para obter-se a liberdade individual/colectiva. Significa o respeito às decisões, vontades, e opiniões do indivíduo em relação ao grupo e vice-versa. Por exemplo, caso um grupo decida em prol de determinada acção, os membros discordantes não ficam obrigados a participar da mesma. Para isso não devem haver relações de dependência que impeçam as pessoas de se posicionarem livremente.

Apoio Mútuo: É a ajuda entre seres de uma organização social onde as partes interagem, auxiliando-se e fortalecendo-se. Tal prática não permite disputas, que são fundamentadas no principio irracional de superioridade entre seres, sendo destrutivas para o convívio humano.
Nossa proposta é somar forças para alcançar uma melhor qualidade de vida para todos.

Auto-gestão: Auto-gestão é por princípio, a comunidade cuidando directamente, de seus próprios deveres e interesses. Para que ela aconteça terá de haver ampla liberdade de organização sem leis opressoras e hierárquicas. Por este simples facto os partidos e legisladores tornam-se desnecessários. Afinal se as pessoas tem as responsabilidades de gerir as suas vidas, os representantes/governantes profissionais e demais poderes são completamente inúteis.

Internacionalismo: Não deveriam existir fronteiras. Não deveriam existir nacionalidades. Patriotismo é um sentimento mesquinho e egoísta que só faz acontecer guerras inúteis e acirrar a raiva entre os povos. A luta pela liberdade passa pela derrubada do capital, que explora e oprime em todo o globo. Ao invés do estado nação, defendemos a autodeterminação dos povos. Somos internacionalistas pois nossa acção revolucionária acontece em todos os lugares do planeta.

Antimilitarismo: Dentro da instituição militar impera o autoritarismo a partir de um complexo esquema de hierarquia de poder. Qualquer tipo de autoritarismo é inválido ! Por que um é melhor que o outro ? Porque é mais velho ? Porque tem mais medalhas no peito ? Todos são iguais! Uns podem deter mais experiência, pois então que a passe para os outros! O respeito virá naturalmente! Criar um sistema hierárquico por via de medalhas e impo-lo a todos é artificial! Abaixo o Autoritarismo!

Acção Directa: A acção directa é o princípio onde você faz e decide directamente tudo que lhe diz respeito, em oposição a ideia de representação. O indivíduo por ser único é impossível de ser representado. Quando os movimentos sociais passam a agir e não somente reagir ao sistema, pacífica ou violentamente se faz chamar de acção directa, a maturidade de uma organização, a essência da actuação libertária e a única maneira de trilhar um caminho contínuo para a revolução social.

Autodefesa: Um princípio libertário que propõe a defesa do indivíduo e/ou colectivo, para garantir sua sobrevivência contra as forças opressoras da reacção. Temos de nos defender do sistema e derrubá-lo, a liberdade não é negociada, mas sim conquistada.

Não se pode “confiar na polícia” e muito menos fazer-nos de vítimas indefesas do sistema. A característica da luta ácrata é a ética e dignidade, “é melhor morrer de pé do que viver de joelhos”; a autodefesa acompanha toda a actuação anarquista.

Bem vindos à (r)evolução.

 

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