Entrevista com Tatiana Santos – Video Musicas

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Entrevista com Tatiana Santos https://www.facebook.com/tatianacherrydoll

Numa sociedade que continua a dar valor ao fácil, ao medíocre e ao sensacionalista… onde as pessoas preferem pagar para gozar com a falta de qualidade das personagens mais do que para apreciar os artistas seja em que área for, os Anonymous PORTUGAL não poderiam ficar de fora. Vivemos num País que paga 1.000€ para contratar pessoas como a Maria Leal mas onde as bandas compostas por músicos profissionais recebem 50€ à cabeça. Figuras sem qualquer tipo de conteúdo que participam em programas televisivos como Casa dos Segredos ou Love On Top recebem ordenados avultados para serem Rps em discotecas mas os artistas com anos de estudos e experiência têm de trabalhar em call centers para poderem sustentar o seu dom. Para além de todas as injustiças e atrocidades que se cometem nas artes, as mulheres continuam a ter uma batalha paralela. As últimas declarações proferidas pelo Eurodeputado Korwin-Mikke são disso prova. Em Portugal também não somos excepção. As mulheres que querem singrar na música têm algumas dificuldades para terem credibilidade como compositoras ou mesmo para serem vistas como artistas além do seu aspecto físico.
Cherry Doll, pseudónimo artístico de Tatiana Santos, partilha da mesma opinião. Com alguns projectos musicais como “Jelly Shot & the Wild Billies” e participações em duetos e trios acústicos, Tatiana procura agora o seu espaço como cantautora num mundo onde quase todos os compositores são homens.
Anonymous PORTUGAL – Como tem sido para ti esta experiência no mundo da música?
T – Tem sido uma experiência cansativa mas muito enriquecedora. Tenho conhecido músicos de excepcional qualidade com os quais tenho a honra e o privilégio de poder actuar. Tenho ouvido bom feedback por parte das pessoas no geral. Tem sido, claro, cansativo conciliar tudo com outras actividades que tenho e a falta de descanso nota-se mas vale a pena.
AP – Como mulher notas um tratamento diferente nesta área, tens tido boas ou más experiências?
T – Tenho tido boas e más experiências. Se, por um lado, há aquelas pessoas que têm um cuidado e delicadeza especial porque somos mulheres, por outro há algumas personagens que acham que como cantamos, frequentamos o mundo artístico e “da noite”somos fáceis ou estamos disponíveis em troca de umas marcações de concertos. Ainda há pessoas que nos contratam não pela música mas pelo nosso aspecto, pela imagem. Ás vezes acho que a imagem vende mais do que o talento e o esforço individual de cada um.
AP – Fala-nos um pouco da experiência como compositora. O que te inspira, o que te motiva, em que te baseias e quais as dificuldades.
T – Bom, neste momento a dificuldade será a mesma de todos os criadores de algo. Conseguir espaço para mostrar o trabalho e ter alguém que acredite e invista nisso. Sempre escrevi. Escrevia poesia em miúda e na adolescência. Sempre foi um escape que me ajudou a lidar com tudo. Escrevia essencialmente sobre mim, sobre as minhas experiências e sobre as coisas que me angustiavam. A felicidade nunca me trouxe grandes inspirações, confesso. Sempre escrevi como forma de elaborar o que estava a sentir para poder processar melhor a dor e a tristeza. Actualmente continuo a escrever sobre mim mas tento que as letras reflictam um pouco situações pelas quais todas as pessoas passam. Para além disso, devido ao meu trabalho paralelo como Psicóloga, não quero ficar apenas na tristeza elaborada. Quero sim mostrar que apesar do caos, apesar da dor as mulheres são fortes e superam tudo. Tenho canções que falam do passar do tempo e das cicatrizes e rugas que a vida nos dá. Tão importantes que são para as mulheres que somos hoje. Tenho canções que falam de sofrimento e da forma otimista como temos de encarar estes momentos porque há várias tonalidades no céu, não sempre o azul. Tudo faz parte. Vou continuar a trabalhar, claro, com a banda Rockabilly que é um grande projecto no qual acredito. Os Jelly Shot & the Wild Billies têm muito bons músicos e estão a fazer um belíssimo trabalho a reintroduzir o Rock dos 50 no panorama nacional e estou também focadissima na minha luta pessoal com os originais. Quero levá-los às rádios e até onde me for possível. Os últimos anos da minha vida, onde tomei contacto com a sonoridade de artistas Folk, Country como Johnny Cash, Scott Kelly (Neurosis), Steve Von Till e Townes Van Zandt deram-me uma excelente base para ir buscar esse aroma meio árido e simples. O que escrevo é tão simples como um par de botas e uma guitarra ao por do sol. A vida é isso mesmo afinal. Aproveito este espaço que tão gentilmente me concederam para dizer que estou a participar no EDP Live Bands e neste momento preciso do vosso voto. Só têm de abrir o link, entrar com a vossa conta de facebook e votar em mim.https://edplivebands.edp.pt/banda/cherry-doll-solo

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