Extrema-Direita na Europa ameaça a tolerância

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Movimentos nacionalistas têm vindo a ganhar protagonismo tanto no Parlamento Europeu como no quotidiano dos respetivos países da União Europeia

Theresa May, primeira-ministra britânica, anunciou – para logo voltar atrás – a intenção de limitar a contratação de estrangeiros e o acolhimento de estudantes extrínsecos ao Reino Unido. Um partido dinamarquês de extrema-direita distribuiu 137 aerossóis de laca para o cabelo com a etiqueta “Spray Asilo”, na cidade de Haderslev, para denunciar a chegada de refugiados. Um militante neonazi finlandês foi detido pela morte de um homem, agredido por criticar uma manifestação anti-imigração em Helsínquia. A Europa parece estar a ficar um lugar perigoso para a tolerância…

É um dado adquirido que o panorama político europeu se tem modificado, muito por culpa dos efeitos da crise económica. E nessas alterações o surgimento de partidos populistas e o fortalecimento das forças de extrema direita não são fenómenos negligenciáveis. Pelo contrário.

A implantação ideológica destes movimentos encontrou pasto na oposição às políticas de imigração da União Europeia, para mais num contexto de desemprego massivo e de grave conflito social, propício à disseminação da xenofobia, do nacionalismo e do neofascismo, que, por norma, responsabilizam os migrantes por toda e qualquer desdita.

Apesar de agora mais retintos, os sinais andavam por aí, espalhados por um mapa mais abrangente do que seria expectável. Aliás, a extrema direita implantou-se no Parlamento Europeu através de diversos grupos e, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, tem tido avanços relevantes em várias países.

Se não, veja-se. Na Polónia, o partido populista Lei e Justiça regressou ao poder montado na prerrogativa “os polacos primeiro”. Ainda no Leste europeu, a União Nacional Ataque, da Bulgária, o Partido Nacional Eslovaco e o Partido da Grande Roménia são forças políticas que conseguiram bons resultados eleitorais.

Porém, nesta zona, o caso mais alarmante é o da Hungria. Já não contando o inenarrável referendo sobre os refugiados, realce-se o projeto de nova constituição, de inspiração autoritária, cortesia do Governo da União Cívica Húngara. Além disso, o país é terreno para movimentos de extrema-direita que utilizam o ódio contra as minorias, o antissemitismo e o anticomunismo como instrumentos de propaganda e ação.

Nas ilhas britânicas, o caso mais emblemático é o do Partido pela Independência do Reino Unido (UKIP), que se viu “vingado” com a vitória do Brexit no referendo de junho passado, que ditou a saída da região da União Europeia. Curiosamente, a já referida May, conservadora, parece não estar muito longe do comprimento de onda do UKIP.

No outro lado do canal da Mancha, a francesa Frente Nacional é um clássico em ascensão. Liderada por Marine Le Pen, reforçou a sua importância ao juntar-se à Liga do Norte – um dos principais partidos da direita italiana -, ação que resultou no grupo Europa das Nações e da Liberdade, bloco de força no Parlamento Europeu. No rol de encargos estão a revisão dos tratados sobre imigração e o retorno da soberania nacional.

Entretanto, o Partido da Liberdade, da Áustria, e o Partido para a Liberdade, da Holanda, tornaram-se a terceira força política nos respetivos países. Na Suíça, o Partido Popular rege-se por políticas xenófobas.

Na Escandinávia, as forças neoconservadoras são realidade bem consolidada. Os Democratas Suecos são apelidados de “modelo nórdico”; o Partido Popular Dinamarquês e o Verdadeiros Finlandeses (ambos com resultados eleitorais notáveis) aderiram ao Grupo de Conservadores e Reformistas Europeus. Na Noruega, o Partido do Progresso chegou pela primeira vez ao poder a bordo de uma visão reacionária.

Completando o quadro, diversas organizações neonazis dispersas por várias zonas da Europa têm obtido uma aprovação nada desprezável. São exemplos o Partido Nacional Democrático da Alemanha e o Aurora Dourada, na Grécia.

Note-se que o presente avanço da Direita não se baseia só nas habituais campanhas contra a globalização, a chegada de refugiados ou a “islamização” da sociedade. Hoje, a preocupação radica também na concessão de direitos e serviços apenas aos cidadãos nacionais “de raiz”.

Via : JN

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