Pai do agressor diz que prisão é “preço muito alto por 20 minutos” de violação

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Brock Turner

“Tu tiraste o meu valor”, disse a vítima numa carta ao agressor. O pai do jovem, que foi condenado a 6 meses de prisão, acha que a pena é demasiado alta para “20 minutos de ação”

Um jovem de 20 anos foi condenado a três meses de prisão por ter violado uma rapariga inconsciente no campus da universidade. Como se a acusação não fosse grave o suficiente, tudo neste caso tem contribuído para aumentar a sua fama -desde as declarações do pai do agressor, que disse que o filho não merecia ser preso porque a violação só durou “20 minutos”, até à carta que a vítima leu no tribunal, em que descreve com detalhes como a violação destruiu a sua vida.

Brock Turner, um antigo estudante e atleta da Universidade de Stanford, enfrentava três acusações de abuso sexual, por ter violado uma rapariga inconsciente, no dia 17 de janeiro de 2015. Brock, que fazia parte da equipa de natação, foi visto a violar uma jovem de 23 anos atrás de um caixote de lixo do campus da universidade, depois uma festa.

A pena máxima neste caso era de 14 anos, mas o juiz decidiu, na quinta-feira, condenar o jovem a 3 meses de prisão e 3 meses de liberdade condicional, pois uma pena maior “teria um impacte muito negativo no rapaz”.

A decisão do juiz Aaron Persky tem sido muito criticada pelo público, mas ele defendeu-se afirmando que as “referências positivas sobre a personalidade” de Brock Turner, a idade e a falta de registo criminal do jovem e o facto de Brock ter bebido na noite do ataque amenizavam as circunstâncias.

“Não acho que ele seja um perigo para a sociedade”, afirmou o juiz.

O pai de Brock Turner também não se mostrou satisfeito com a pena, mas por outros motivos. Antes da decisão final, Dan Turner tinha pedido ao juiz que o filho ficasse apenas em liberdade condicional, pois já tinha pago um “preço demasiado alto por 20 minutos de ação”.

No comunicado enviado ao juiz, Dan refere como o filho nunca mais será feliz, ou terá “uma personalidade fácil e um sorriso acolhedor” por causa do caso que “alterou profundamente a sua vida”. “A cada minuto ele é consumido por preocupações, ansiedade, medo e depressão. Pode-se ver na sua cara, na maneira como ele anda, na sua voz e na falta de apetite”, continua o pai.

Nas redes sociais o pedido do pai está a ser visto como a promoção da violência sexual.

A vítima, cuja identidade não foi revelada, não precisou, no entanto, que os utilizadores das redes sociais falassem por ela. A jovem escreveu uma carta ao seu atacante e leu-a no tribunal. Na carta, ela conta como gostaria de “remover o corpo como se remove um colete” e como a vida dela foi arruinada naquela noite.

“Tu não me conheces mas estiveste dentro de mim, e é por isso que estamos aqui”

Assim começa a carta de 12 páginas.

Ao longo do texto, que se tornou viral nas redes sociais, a jovem vai contando como decidiu ir a uma festa com a irmã mais nova porque esta tinha ido passar o fim de semana a casa, como acordou no dia seguinte no hospital e como quando o polícia lhe disse que tinha sido violada ela achou que era um engano. A jovem apenas descobriu o que lhe aconteceu com detalhes quando leu um jornal, que no final descrevia todas as medalhas que o seu atacante tinha ganho na natação.

A jovem conta ainda que estava à espera que Brock se arrependesse do que fez, mas ao invés, este contratou advogados e especialistas que transformaram a violação num mal-entendido. “Eu fui atacada com perguntas penetrantes e questões limitadas que dissecaram minha vida pessoal, vida amorosa, meu passado, vida familiar, questões fúteis, detalhes triviais para tentar encontrar uma desculpa para esse rapaz que me despiu antes de perguntar o meu nome”.

Brock Turner vai também ser obrigado pelo tribunal a alertar aos jovens estudantes sobre o perigo de beber demasiado, segundo oThe Guardian. O jovem está já empenhado a montar um programa em que fala com estudantes de escolas secundárias sobre os riscos do álcool e “a promiscuidade a ele associada”, como leu num depoimento no tribunal. “Quero mostrar às pessoas como uma noite pode arruinar uma vida”.

Quando foi a sua vez de ler um depoimento, a vítima corrigiu-o. “Deixa-me reformular a tua frase, eu quero mostrar às pessoas que uma noite de bebedeira pode arruinar duas vidas. A tua e a minha. Tu és a causa, eu sou o efeito”, afirmou a jovem.

“O seu dano era concreto; despojado de títulos, graus. O meu dano foi interno, invisível, eu carrego comigo. Tu tiraste o meu valor, a minha privacidade, a minha energia, o meu tempo, a minha segurança, a minha intimidade, a minha confiança, a minha própria voz, até hoje”

O procurador distrital de Santa Clara, Jeff Rosen, criticou a decisão do juiz do caso. “Uma violação dentro da universidade continua a ser uma violação” e não devia ser vista como “menos séria” pela vítima ter bebido demais.

Fonte :DN

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