Ricardo Araújo Pereira, “o mais parvo”, foi fazer rir e acabou a chorar – Video

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Ricardo Araújo Pereira foi o convidado mistério da festa de Natal da Acreditar e acabou por emocionar-se ao reencontrar a criança que um dia, mesmo doente, o definiu com precisão como “o mais parvo”

“Barnabés”, na nomenclatura da Acreditar, a Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro, é o nome dado aos miúdos (alguns já crescidos) que vivem ou viveram uma doença oncológica. Quem os conhece sabe que são uma trupe de miúdos cúmplices e divertidos. Criam-se grandes amizades que trespassam a impermeabilidade das vidraças das boxes de isolamento hospitalar. Depois, junta-se-lhe a energia palpitante da miudagem que supera a agonia dos químicos e dos tratamentos invasivos. Nascem ali, em internamento ou ambulatório, grandes cumplicidades para toda a vida.Sábado foi a festa de Natal da Acreditar.Lá estiveram muitos barnabés, familiares e, claro, vários artistas convidados.Lá esteve também o Ricardo Araújo Pereira a quem se tinha pedido que utilizasse o palco durante uns minutos para espalhar humor contagiante. Apenas isso. E como ele o sabe fazer.O Ricardo mal conhecia a Acreditar. Perguntou-me, aparentemente inseguro, atrás do palco, que tipo de pessoas compunham o auditório, se mais crianças ou pais e familiares. Eu disse-lhe “espreite, veja por esta fresta da cortina”. Ele espreitou e disse “ok, já percebi”.No alinhamento da festa o Ricardo era o “convidado mistério” e o apresentador tratou de encorpar a expectativa da sua entrada em palco, de gerir a suspense e a ansiedade do auditório. O tempo suficiente para o Ricardo me passar para a mão a carteira e o livro que trazia e eu experimentar o meu momento de humor desajeitado, o humor lançado contra o humorista: com a carteira na mão, disse-lhe “Ricardo, demore em palco o tempo que quiser, eu vou ali ao multibanco fazer uns levantamentos!”Mas o que fiz, claro, foi ir à volta e saltar para uma coxia da plateia ainda a tempo de gravar com o telemóvel a entrada do Ricardo.O auditório adorou e distribuiu, ora palmas, ora apupos, na relação directa da ambivalência dos afectos, exactamente o que o bom humorista gosta de colher.Era isso que se pretendia.Quando senti que o improviso já fazia anunciar a “punch line”, saltei de novo para trás do palco para receber o artista nos bastidores e devolver-lhe o livro e a carteira.Mas aconteceu então o imprevisto. O momento que a segunda take deste pequeno vídeo aqui retrata; que ainda captei, numa inesperada espreitadela feita a partir da tal fresta, nas costas da acção, o que serviu ao menos para esconder o embaraço das emoções.O artista até pode ser um bom artista, mas às vezes até a teatralidade da postura em palco pode claudicar face às coisas imprevistas da vida.Foi bonito. Toda a gente gostou muito, mas quem mais se emocionou foi o RAP – talvez por ser “o mais parvo”. Assegurou à saída que para o ano irá voltar. E exige – atenção, exige mesmo – que daqui a um ano estejam lá todos. Não admite que ninguém falte.Há que respeitar o artista.

Publié par Joao Salvado sur mercredi 20 décembre 2017

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